PDI: por que você não deve deixar o crescimento da sua carreira nas mãos da empresa

 


Você sabe onde quer estar profissionalmente daqui a um, três ou cinco anos?

Essa pode parecer uma pergunta simples, mas, para muitas pessoas, a resposta é difícil.

Isso acontece porque, ao longo da carreira, é comum transferirmos para as empresas uma responsabilidade que também é nossa: a responsabilidade pelo nosso desenvolvimento profissional.

Esperamos que a empresa perceba nosso potencial, que o gestor reconheça nosso esforço, que uma promoção apareça, que uma nova oportunidade seja oferecida ou que alguém nos indique para uma posição melhor.

E enquanto esperamos, os anos passam.

Continuamos na mesma função, acumulamos experiência, entregamos resultados, mas muitas vezes não desenvolvemos as competências necessárias para dar o próximo passo.

É justamente nesse ponto que entra o PDI — Plano de Desenvolvimento Individual.

Sua carreira não pode depender apenas das oportunidades que a empresa oferece

É importante entender uma coisa: a empresa pode fazer parte do seu plano de carreira, mas ela não pode ser o seu plano de carreira inteiro.

Você pode, sim, buscar crescimento dentro da organização onde trabalha. Pode conversar com seu gestor sobre oportunidades, demonstrar interesse em novos desafios e buscar uma promoção.

Mas não deve colocar toda a sua expectativa profissional nisso.

A empresa pode mudar suas prioridades. Uma vaga pode não surgir. Um processo seletivo interno pode escolher outro profissional. Uma reestruturação pode eliminar uma posição. Um gestor pode não enxergar seu potencial da maneira que você esperava.

E nada disso pode significar que sua carreira parou.

Quando você assume o protagonismo da sua trajetória, começa a fazer perguntas diferentes:

O que eu preciso aprender para ocupar a posição que desejo?

Quais competências são exigidas para essa função?

O que o mercado está buscando atualmente?

Quais conhecimentos eu ainda não tenho?

Quais experiências preciso adquirir?

Que tipo de profissional quero ser nos próximos anos?

Essas perguntas tiram você da posição de quem apenas espera uma oportunidade e colocam você na posição de quem se prepara para ela.

Não basta querer ser promovido. É preciso estar preparado para a promoção.

Um dos erros mais comuns dentro das organizações é pensar:

“Eu já estou aqui há anos. A empresa conhece meu trabalho. Quando surgir uma oportunidade, eles vão lembrar de mim.”

Talvez lembrem.

Mas isso não significa que você será escolhido.

Tempo de empresa não é, necessariamente, sinônimo de preparo para uma nova posição.

Imagine um profissional que está há cinco anos em uma função e deseja se tornar coordenador.

Ele conhece profundamente as atividades que executa. É comprometido, entrega resultados e possui boa experiência técnica.

Mas será que isso é suficiente para ocupar uma posição de liderança?

Talvez precise desenvolver gestão de pessoas, comunicação, negociação, visão estratégica, gestão de conflitos, análise de indicadores, tomada de decisão e outras competências.

Se ele passar cinco anos apenas aperfeiçoando aquilo que já faz, poderá se tornar excelente na função atual — mas continuar sem estar preparado para a próxima.

Crescimento profissional exige desenvolvimento compatível com o próximo passo.

Não espere a empresa descobrir o seu potencial

Existe uma postura bastante comum no mercado de trabalho:

“Eu vou continuar fazendo meu trabalho bem feito e, em algum momento, alguém vai perceber o meu potencial.”

É claro que entregar um bom trabalho é fundamental.

Mas carreira não deveria funcionar como um concurso de espera pelo reconhecimento.

Você também precisa comunicar seus objetivos, buscar conhecimento, desenvolver competências, construir relacionamentos profissionais e entender quais caminhos existem para chegar onde deseja.

Não basta esperar que alguém descubra que você pode ocupar uma posição maior.

Você precisa descobrir primeiro o que é necessário para ocupá-la.

E depois começar a se preparar.

O mercado de trabalho não fica parado enquanto você está na mesma função

Outro ponto que merece atenção é a atualização profissional.

Muitas pessoas passam anos executando as mesmas atividades, utilizando os mesmos conhecimentos e acompanhando apenas as mudanças internas da empresa.

Enquanto isso, o mercado muda.

Novas ferramentas surgem.

Novas tecnologias aparecem.

Novas metodologias são utilizadas.

Novas competências passam a ser valorizadas.

Novas profissões são criadas.

E determinadas atividades deixam de exigir apenas conhecimento técnico para exigir também habilidades relacionadas à tecnologia, análise de dados, comunicação, gestão, estratégia, inteligência artificial ou outras competências.

Por isso, estar empregado não significa necessariamente estar atualizado.

Você pode estar trabalhando todos os dias e, ainda assim, estar se afastando das exigências do mercado.

É por isso que o desenvolvimento profissional precisa acontecer mesmo quando você está confortável na posição atual.

Afinal, o que é um PDI?

O Plano de Desenvolvimento Individual é uma ferramenta que ajuda o profissional a transformar seus objetivos de carreira em ações concretas de desenvolvimento.

Mais do que uma lista de cursos, o PDI deve responder a uma pergunta:

“O que eu preciso desenvolver para chegar onde quero?”

Um bom planejamento considera o ponto em que você está hoje e o profissional que deseja se tornar.

Para isso, é importante analisar:

  • seus objetivos profissionais;

  • suas competências atuais;

  • seus pontos de desenvolvimento;

  • os conhecimentos exigidos para o próximo passo;

  • as tendências do mercado;

  • experiências que você precisa adquirir;

  • cursos, treinamentos ou certificações que podem contribuir;

  • pessoas que podem ajudar no seu desenvolvimento;

  • prazos para cada etapa.

Sua carreira precisa de objetivos de curto, médio e longo prazo

Não é necessário saber exatamente onde você estará daqui a dez anos.

Mas é importante ter alguma direção.

Um planejamento de carreira pode ser dividido em diferentes horizontes.

Curto prazo

Pergunte:

O que eu quero conquistar nos próximos meses?

Pode ser desenvolver uma competência específica, concluir um curso, melhorar o inglês, assumir um novo projeto, atualizar o currículo, fortalecer o LinkedIn ou começar a atuar em determinada atividade.

Médio prazo

Aqui entram objetivos que exigem mais tempo de preparação.

Onde quero estar profissionalmente nos próximos dois ou três anos?

Pode ser uma promoção, uma mudança de área, uma posição de liderança, uma transição de carreira ou uma especialização.

Longo prazo

É a visão mais ampla.

Que profissional eu quero ser daqui a cinco anos ou mais?

Talvez você queira ocupar uma posição executiva, empreender, tornar-se especialista em determinada área ou construir uma carreira completamente diferente.

O mais importante é compreender que os objetivos podem mudar.

Um plano de carreira não é uma sentença.

É uma direção.

O PDI não deve ser feito apenas quando você quer mudar de emprego

Esse é outro erro.

Muitas pessoas só começam a pensar no próprio desenvolvimento quando percebem que estão insatisfeitas com o trabalho ou quando decidem procurar uma nova oportunidade.

Mas o PDI deveria acompanhar a carreira.

Inclusive quando tudo está bem.

Porque desenvolver-se enquanto você está empregado pode colocá-lo em uma posição muito mais estratégica quando uma oportunidade surgir.

Em vez de começar a se preparar depois que a vaga aparece, você já estará construindo as competências necessárias antes dela.

E existe uma grande diferença entre:

“Eu quero aquela vaga. O que preciso estudar?”

e

“Eu já venho me preparando para essa posição há algum tempo.”

Não espere a oportunidade para começar a se preparar

Talvez essa seja uma das principais mensagens que o PDI nos ensina.

Não espere a promoção para começar a desenvolver competências de liderança.

Não espere uma vaga de gestão para aprender sobre gestão de pessoas.

Não espere uma oportunidade em outra área para começar a estudar sobre ela.

Não espere perder o emprego para descobrir o que o mercado está procurando.

Não espere alguém dizer que você tem potencial.

Assuma a responsabilidade pelo profissional que você quer se tornar.

A empresa pode abrir portas.

Seu gestor pode apoiar seu desenvolvimento.

Um mentor pode orientar suas escolhas.

Um curso pode ampliar seus conhecimentos.

Uma certificação pode fortalecer seu currículo.

Mas existe uma parte desse processo que ninguém pode fazer por você.

A decisão de conduzir a própria carreira.

Quem está segurando as rédeas da sua carreira?

Talvez seja hora de fazer uma pausa e olhar para a sua trajetória.

Você está esperando ser escolhido?

Ou está se preparando para escolher?

Você sabe quais competências o mercado está valorizando na posição que deseja ocupar?

Você conhece seus pontos fortes e os pontos que precisa desenvolver?

Você tem objetivos profissionais de curto, médio e longo prazo?

Quando foi a última vez que atualizou seus conhecimentos pensando não apenas na função que exerce hoje, mas naquela que deseja exercer amanhã?

Sua carreira não precisa seguir exatamente o caminho que você imaginou anos atrás.

Mas ela precisa ser conduzida.

Porque quando você deixa todas as decisões nas mãos da empresa, passa a depender das escolhas de outras pessoas.

Quando assume o protagonismo, começa a construir possibilidades.

Não espere a empresa decidir o tamanho da sua carreira.

Faça seu planejamento.

Crie seu PDI.

Observe o mercado.

Desenvolva novas competências.

Busque experiências.

Reavalie seus objetivos.

E, principalmente, assuma as rédeas da sua trajetória profissional.

A próxima oportunidade pode até aparecer dentro da empresa onde você trabalha.

Mas estar preparado para ela deve começar por você.

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